terça-feira, 25 de maio de 2010

Em resposta à revista Veja

Infelizmente, algumas pessoas ainda tem uma idéia errônea do real significado da palavra "Bruxa", como demonstraram os repórteres da revista Veja na sua última capa sobre a procuradora que torturou uma criancinha de 2 anos de idade, onde escreveram "A Confissão da Bruxa". Como disse Claudia Hauy, chamar uma torturadora de crianças de Bruxa, seria o mesmo que dizer que todos os Padres são pedófilos!

Segue abaixo um texto escrito por mim em maio/2006 sobre o que a maioria de nós, adeptas da Bruxaria e do Paganismo, pensamos sobre o que é ser uma Bruxa. E esperamos, sinceramente, que a Veja reconsidere o que escreveu, reafirmando a seriedade e confiança que tantos brasileiros a atribuem.

"Estou lendo no momento o livro "O templo interior da bruxaria", de Christopher Penczak.
No primeiro capítulo ele trata dos vários significados da palavra "bruxa". Não só a origem como as diversas impressões que podemos ter ao ouvir/ler esta palavra.
Muitos, ao entrarem em contato com a palavra "bruxa" logo vem a mente uma pessoa velha, com um chapéu pontudo, um vestido preto, cheia de rugas na face e uma verruga na ponta do seu enorme nariz. Alguém que mora numa casa velha, longe da cidade, com seu gato preto e que adora fazer maldades com os outros. Além de imaginarem poções mágicas do tipo "uma asinha de morcego, uma perna de rã" ou então alguém que mata criancinhas para comê-las no jantar... Isso me lembra a vez que comprei meu caldeirão. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que meu pai falou foi "então é aí que vocês fritam os sapos e cozinham as criancinhas?" hehehe...
Deixando de lado este "modelo" criado pelos contos infantis, vamos ao que interessa.
No final do primeiro capítulo do livro o autor nos incentiva a criar a nossa própria visão do que seria uma bruxa... Então, vamos lá...

O que é ser uma bruxa pra mim?

Nunca pensei que fosse tão difícil passar isso para um papel. Sei exatamente o que significa ser uma bruxa para mim, mas não sei como me expressar para passar o que penso para os outros. Mas, não custa tentar...
Uma bruxa, para mim, é uma pessoa comum, como todas as outras, mas ao mesmo tempo diferente. É uma pessoa sensível a tudo que acontece a sua volta. Alguém que está sempre atento aos sinais que a Natureza nos oferece. Que aprecia a chuva caindo no chão e o cheirinho de terra molhada; as ondas do mar vindo e voltando; a lua no céu; o sol que nos ilumina e aquece.
Uma bruxa não precisa fazer feitiços para ser considerada como tal, muitas nem sabem que são bruxas. Essas pessoas vivem da magia, mas talvez nem saibam o significado desta palavra. A magia delas é colocar ervas dentro de um pouco de água fervida para curar uma doença; de jogar ingredientes dentro de uma panela e tranformá-los num saboroso alimento; de plantar uma semente no quintal, ou num vaso, e cuidar dela até que esta semente cresça e se torne uma linda flor. E elas vivem tudo isso tão itensamente que acabam passando uma ótima energia aqueles que estão a sua volta.
Não há uma religião específica para as bruxas, porque a magia não tem religião. Ela acontece em todo lugar, seja rituando para os seus Deuses, seja orando dentro de uma Igreja. A magia está presente em tudo o que fazemos, independente daquilo que acreditamos.
Acredito que para ser uma bruxa, basta prestar atenção nesta magia que acontece a todo momento, e conseguir conduzir esta energia para um propósito, mesmo que isso seja um ato incosciente.
Sei que muitos não vão concordar com esta minha visão do que é ser uma bruxa, então, deixo a pergunta:

E, para você... O que é ser uma bruxa?" 


(Daniela Garcia)

6 comentários:

  1. Escrevi faz alguns anos sobre este estereótipo decadente no Tribus vou ver se acho o link!

    Brujas Unidas Jamás serán Vencidas!

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  2. Perfeita definição Dani!!!
    Bruxaria é sintonia com a vida!!
    É a arte de celebrar a natureza e suas transformações.

    Só discordo que a Veja seja uma revista respeitada, porque, mesmo no meio acadêmico, ela é ridicularizada, por sempre ser tendenciosa e pré-conceituosa.

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  3. Oi, Daniela. Oi, Bruno. Que belo este texto, Daniela, parabéns. Concordo que o meio acadêmico é um grande balizador, mas é um meio muito restrito, Bruno, infelizmente, e que muitas vezes não interage com a coletividade e nem a representa. No contexto geral, conta muito o fato da Veja ser a mais conhecida em seu segmento, é vendida junto com o jornal de domingo! Imagine o alcance e o peso que tem tudo o que ela publica. E para muitas pessoas qualificadas, inteligentes, o que está nela tem um respaldo.

    Beijos a todos!

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  4. Ótimo texto Dany. Um abraço e obrigado por ajudar a exclarecer as coisas um pouco mais.
    ...
    togrands

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  5. A Veja infelizmente se tornou uma revista medíocre e sensacionalista. Mesmo com pouca coisa escrita ( o resto é propaganda), é sem respeito a ninguém.

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